segunda-feira, 18 de maio de 2026

Quando o português veio vindo

Por esses dias eu estava lembrando o pânico que eu sentia quando imaginava que meus filhos não fossem aprender a falar português. 

 Aí eu falava o tempo todo e sobre tudo com eles. O tempo todo e sobre tudo MESMO

 Era em casa, enquanto trocava roupa, dava banho, fazia comida, limpava a casa ou dobrava roupa. Eu declamava receitas como se declamasse poemas de Pessoa; cantarolava os produtos de limpeza e rimava com os cantos da casa a serem limpos. Quando andava na rua, parecia narrador de futebol, só que ia descrevendo os carros que passavam, as pessoas, as roupas das pessoas, as cores das flores, os nomes de tudo. 

 Depois disso, quando o idioma veio vindo, fiquei mais relaxada. 

 Mas hoje me dá muita satisfação e sensação de dever cumprido ver que eles não só falam e entendem português, como lêem e escrevem. Aliás, nossa comunicação por WhatsApp é em português. Claro que cometem errinhos, mas quem nunca? 

 E enquanto no Brasil o barato é pedir o carro dos pais emprestado, aqui na Holanda o barato é pedir para usar a bicicleta elétrica da mãe. Nessas horas é que vemos a tal diferença cultural, não é verdade?
 😊 


 Recadinhos trocados com Victor e do Daniel:

sábado, 9 de maio de 2026

Ainda existe alguém aí?

 “Outro dia” (tipo há alguns anos atrás...ha ha) lembrei que esse blog existia.

Não “lembrei” no sentido figurado. Eu literalmente tinha esquecido que ele ainda estava aqui, perdido em algum canto jurássico da internet, sobrevivendo bravamente desde a era dos dinossauros, do Blogspot e das pessoas que ainda liam textos maiores que legenda de Instagram.

Daí resolvi entrar.

E aí aconteceu uma coisa estranha.

Eu encontrei versões antigas da minha vida me esperando.

Victor pequeno achando que cemitério era conjunto de esqueletos.
Daniel indignado porque não queria falar “landês” comigo.
As confusões bilíngues.
As aventuras na Holanda.
Os musiquinhos da escola.
As crises existenciais.
As mudanças.
As malas.
Os recomeços.
As teorias mirabolantes das crianças.
O doutorado.
O divórcio.
A volta pro Brasil.
A volta pra Holanda.
Um novo amor no meio do caos.
E algumas perdas grandes demais para caberem em um post.

A vida acontecendo no modo “não tenho tempo nem de respirar”.

E os meninos cresceram.

Muito.

Hoje estão na universidade, continuam falando português, holandês e inglês fluentemente e provavelmente continuam me corrigindo em alguma coisa nesse exato momento.

Aliás, uma das coisas mais estranhas de envelhecer é perceber que aquelas crianças dos posts antigos agora opinam sobre política, cozinham, pagam contas e têm barba.

BARBA, gente.

E talvez a coisa mais inesperada para quem acompanhava esse blog lá atrás:
eu virei avó.

Sim.
A vida claramente perdeu qualquer compromisso com a coerência temporal.

E aparentemente a tradição familiar de crianças bilíngues na Holanda continua firme e forte, porque o neto mais velho já fala português direitinho.

Mas como o mundo resolveu entrar em modo apocalipse coletivo nos últimos anos, talvez faça sentido voltar a escrever.
Nem que seja para registrar as loucuras da existência antes que alguém invente outra pandemia, mais três guerras e um aplicativo que substitua completamente a capacidade humana de prestar atenção por mais de 8 segundos.

Então talvez eu volte a contar histórias por aqui.
Com fotos.
Talvez vídeos.
Talvez causos antigos que nunca contei.
Talvez novos.

Vamos ver se ainda existe alguém por aqui.

E se existir:

oi de novo :)

terça-feira, 10 de novembro de 2020

Será que ainda tem gente que leria esse blog?

 Mas olha! Eu quase tinha esquecido que ainda tinha esse blog.

Não sei se ainda funciona do mesmo modo, não sei se alguém ainda lembra do blog. Mais de 5 anos desde a última vez que postei alguma coisa.

Mas então vamos testar.


O mundo gira, pelo menos para aqueles que ainda sabem que a Terra é redonda, e voltamos a morar na Holanda há pouco mais de 5 anos.


Motivo da volta? Ai, são tantos! Talvez dê um outro post se alguém se interessar.


Os meninos estão bem e hoje em dia os 2 na escola secundária bilíngue. Victor faz 16 em Janeiro (dá pra acreditar???) e Daniel está com 13.


Victor e Daniel estão adolescentes típicos: quando estão em casa ficam jogando no computador, um saco :(

Falam os 3 idiomas fluentemente (português, holandês e inglês) e também escrevem e lêem nos 3 idiomas. Mesmo tendo frequentado escola em holandês muito pouco (Victor apenas por 1 ano e Daniel por 2 anos) vão para o nível mais alto da escola aqui e também mantêm notas altas.


É, o trilinguismo deu muito certo por aqui :) :)

Que idioma você fala com seu(s) filho(s)?