quarta-feira, 20 de maio de 2026

Farofa no Instagram!

 

Farofa no Instagram!

Depois de muitos anos escrevendo no blog — e depois de alguns anos em que o Farofa ficou mais quietinho — resolvi finalmente aparecer também no Instagram.

Confesso que ainda acho um pouco estranho trocar os blogs da década de 2000 pelos reels, stories e algoritmos da vida moderna. Mas percebi que muita gente hoje vive no Instagram, e talvez seja uma forma mais fácil de continuar as conversas que começaram por aqui tantos anos atrás.

Além disso, sejamos honestos: blog hoje em dia virou quase peça de museu da internet. E embora eu continue gostando desse cantinho aqui, as possibilidades acabam sendo mais limitadas. No último post, por exemplo, tentei colocar um print do WhatsApp e a imagem ficou sem definição nenhuma. Claramente o Farofa precisava sair um pouco do mundo dos blogs e espalhar sua bagunça organizada pelas redes sociais também.

Mas calma: isso não significa que o blog vai acabar. Continuarei escrevendo por aqui sempre que o formato permitir — e sempre que eu conseguir organizar a farofa da vida real, da universidade, das bicicletas, dos idiomas e das abas abertas no computador.

O Farofa de Tulipas começou em 2007, entre português, holandês, diferenças culturais, maternidade, bicicletas, filhos crescendo entre idiomas e as pequenas confusões da vida multicultural. E embora os blogs tenham perdido espaço com o tempo, a vida entre culturas continuou acontecendo por aqui.

Agora que os meninos já cresceram — e se tornaram oficialmente trilíngues — achei que talvez fosse um bom momento para voltar a escrever mais sobre bilinguismo, vida multicultural e as experiências (e dúvidas!) de criar filhos entre idiomas e países.

Também queria ouvir outras famílias vivendo essa realidade. Por isso criei um espaço para quem quiser compartilhar histórias, dúvidas, dificuldades ou experiências sobre bilinguismo, trilinguismo e vida multicultural.

Então, para quem quiser acompanhar essa nova fase do Farofa:
agora estamos também no Instagram
e há um formulário para compartilhar experiências e perguntas sobre vida entre culturas

Os links estão na bio do Instagram:
@farofadetulipas

Sejam bem-vindos lá. :)

segunda-feira, 18 de maio de 2026

Quando o português veio vindo

Por esses dias eu estava lembrando o pânico que eu sentia quando imaginava que meus filhos não fossem aprender a falar português. 

 Aí eu falava o tempo todo e sobre tudo com eles. O tempo todo e sobre tudo MESMO

 Era em casa, enquanto trocava roupa, dava banho, fazia comida, limpava a casa ou dobrava roupa. Eu declamava receitas como se declamasse poemas de Pessoa; cantarolava os produtos de limpeza e rimava com os cantos da casa a serem limpos. Quando andava na rua, parecia narrador de futebol, só que ia descrevendo os carros que passavam, as pessoas, as roupas das pessoas, as cores das flores, os nomes de tudo. 

 Depois disso, quando o idioma veio vindo, fiquei mais relaxada. 

 Mas hoje me dá muita satisfação e sensação de dever cumprido ver que eles não só falam e entendem português, como lêem e escrevem. Aliás, nossa comunicação por WhatsApp é em português. Claro que cometem errinhos, mas quem nunca? 

 E enquanto no Brasil o barato é pedir o carro dos pais emprestado, aqui na Holanda o barato é pedir para usar a bicicleta elétrica da mãe. Nessas horas é que vemos a tal diferença cultural, não é verdade?
 😊 


 Recadinhos trocados com Victor e do Daniel:

sábado, 9 de maio de 2026

Ainda existe alguém aí?

 “Outro dia” (tipo há alguns anos atrás...ha ha) lembrei que esse blog existia.

Não “lembrei” no sentido figurado. Eu literalmente tinha esquecido que ele ainda estava aqui, perdido em algum canto jurássico da internet, sobrevivendo bravamente desde a era dos dinossauros, do Blogspot e das pessoas que ainda liam textos maiores que legenda de Instagram.

Daí resolvi entrar.

E aí aconteceu uma coisa estranha.

Eu encontrei versões antigas da minha vida me esperando.

Victor pequeno achando que cemitério era conjunto de esqueletos.
Daniel indignado porque não queria falar “landês” comigo.
As confusões bilíngues.
As aventuras na Holanda.
Os musiquinhos da escola.
As crises existenciais.
As mudanças.
As malas.
Os recomeços.
As teorias mirabolantes das crianças.
O doutorado.
O divórcio.
A volta pro Brasil.
A volta pra Holanda.
Um novo amor no meio do caos.
E algumas perdas grandes demais para caberem em um post.

A vida acontecendo no modo “não tenho tempo nem de respirar”.

E os meninos cresceram.

Muito.

Hoje estão na universidade, continuam falando português, holandês e inglês fluentemente e provavelmente continuam me corrigindo em alguma coisa nesse exato momento.

Aliás, uma das coisas mais estranhas de envelhecer é perceber que aquelas crianças dos posts antigos agora opinam sobre política, cozinham, pagam contas e têm barba.

BARBA, gente.

E talvez a coisa mais inesperada para quem acompanhava esse blog lá atrás:
eu virei avó.

Sim.
A vida claramente perdeu qualquer compromisso com a coerência temporal.

E aparentemente a tradição familiar de crianças bilíngues na Holanda continua firme e forte, porque o neto mais velho já fala português direitinho.

Mas como o mundo resolveu entrar em modo apocalipse coletivo nos últimos anos, talvez faça sentido voltar a escrever.
Nem que seja para registrar as loucuras da existência antes que alguém invente outra pandemia, mais três guerras e um aplicativo que substitua completamente a capacidade humana de prestar atenção por mais de 8 segundos.

Então talvez eu volte a contar histórias por aqui.
Com fotos.
Talvez vídeos.
Talvez causos antigos que nunca contei.
Talvez novos.

Vamos ver se ainda existe alguém por aqui.

E se existir:

oi de novo :)

Que idioma você fala com seu(s) filho(s)?