sábado, 9 de maio de 2026

Ainda existe alguém aí?

 “Outro dia” (tipo há alguns anos atrás...ha ha) lembrei que esse blog existia.

Não “lembrei” no sentido figurado. Eu literalmente tinha esquecido que ele ainda estava aqui, perdido em algum canto jurássico da internet, sobrevivendo bravamente desde a era dos dinossauros, do Blogspot e das pessoas que ainda liam textos maiores que legenda de Instagram.

Daí resolvi entrar.

E aí aconteceu uma coisa estranha.

Eu encontrei versões antigas da minha vida me esperando.

Victor pequeno achando que cemitério era conjunto de esqueletos.
Daniel indignado porque não queria falar “landês” comigo.
As confusões bilíngues.
As aventuras na Holanda.
Os musiquinhos da escola.
As crises existenciais.
As mudanças.
As malas.
Os recomeços.
As teorias mirabolantes das crianças.
O doutorado.
O divórcio.
A volta pro Brasil.
A volta pra Holanda.
Um novo amor no meio do caos.
E algumas perdas grandes demais para caberem em um post.

A vida acontecendo no modo “não tenho tempo nem de respirar”.

E os meninos cresceram.

Muito.

Hoje estão na universidade, continuam falando português, holandês e inglês fluentemente e provavelmente continuam me corrigindo em alguma coisa nesse exato momento.

Aliás, uma das coisas mais estranhas de envelhecer é perceber que aquelas crianças dos posts antigos agora opinam sobre política, cozinham, pagam contas e têm barba.

BARBA, gente.

E talvez a coisa mais inesperada para quem acompanhava esse blog lá atrás:
eu virei avó.

Sim.
A vida claramente perdeu qualquer compromisso com a coerência temporal.

E aparentemente a tradição familiar de crianças bilíngues na Holanda continua firme e forte, porque o neto mais velho já fala português direitinho.

Mas como o mundo resolveu entrar em modo apocalipse coletivo nos últimos anos, talvez faça sentido voltar a escrever.
Nem que seja para registrar as loucuras da existência antes que alguém invente outra pandemia, mais três guerras e um aplicativo que substitua completamente a capacidade humana de prestar atenção por mais de 8 segundos.

Então talvez eu volte a contar histórias por aqui.
Com fotos.
Talvez vídeos.
Talvez causos antigos que nunca contei.
Talvez novos.

Vamos ver se ainda existe alguém por aqui.

E se existir:

oi de novo :)

Que idioma você fala com seu(s) filho(s)?