quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Entendendo as famílias brasileiras

Victor anda se esforçando bastante para entender as relações humanas em Terras Canarinhas. E pela enésima vez eu tento apontar os exemplos:

- Mamãe, a gente vai agora pra casa da vovó do primo Pedro?

- Primeiro vamos encontrar a tia Clara no aeroporto. Lembra da tia Clara?

- A mamãe do Pedro?

- Não. Ela é a namorada do papai do Pedro. O primo Pedro mora com a mamãe e o PADRASTO e de vez em quando ele vai visitar o papai, que é o tio Roberto Cláudio. A tia Clara vai ter um neném, que vai ser irmã ou irmão do primo Pedro...e tia Clara vai ser a MADRASTA do Pedro. Tendeu? É bem legal, né? imagina ter 4 pessoas pra tomar conta da gente ao invés de só duas? ter duas casas, ganhar mais presentes de aniversário...

- E mais presente de natal!!! - completa Daniel.

- Sim, sim (...) mas então eu e Daniel também temos um padrastro!!!

- Tem? e quem é?

- O papai da Thamy, porque ela é minha irmã, ué!

- Não é assim que funciona, meu amor. É madrasta ou padrasto se morar com o papai ou com a mamãe.

- hmmm...então eu tenho uma madrasta!!!

- Tem? e quem é?

- É você, mamãe!!!

- Meu amor, lembra que mamãe e papai não moram mais na mesma casa? mamãe mora com você e Dandan e o papai vem visitar vocês dois.

- ah, é! eu esqueci!

- Além do mais eu já sou sua mamãe e não posso ser também sua madrasta.

- Não pode???

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E aí? alguma dica para explicar mais didaticamente? ;)

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Professora sim, tia não.

 Ao fim do primeiro dia de escola em Terra Brasilis, Daniel já levantou uma dúvida mais que cruel:

- Mamãe, a professora também é minha tia?
- Não, meu amor.
- Então por que eu "tem" que chamar de tia?
- No Brasil as professoras também podem ser chamadas de tia, Dandan.
- Por que?
- Porque é um costume.
- O que é costume?
- It's a habit.

Victor logo vem em socorro do irmão:

- Mas se é professora e não é tia, porque as pessoas têm o habit...hummm...o "costrume" de falar "tia"?
- Ué, porque sim. Um costume muitas vezes não se explica...todo mundo faz e daí vira um costume. (ok, ok, eu não sabia o que responder)

[Pausa para dois pequenos cérebros pensarem]

- Mas mãe, eu não quero chamar a professora de tia!
- Então chame de "professora". Não tem problema.
- Mas e se ela não souber que é "professora"e achar que o nome dela é "tia" porque todo mundo chama de tia?


* Ui, ui, será que é muito cedo para introduzir Paulo Freire nas historinhas de antes de dormir? Minhas explicações não estão convencendo mais...

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Mala e cuia

Nossa, já faz bastante tempo que não atualizo o blog! Algumas pessoas cobraram notícias por aqui e agora com um pouco mais de tempo, vou tentar atualizar as coisas J
Bem, desde a última postagem, a vida deu uma voltinha de 180 graus. Terminei o doutorado, separei e resolvi voltar pro Rio (não necessariamente nessa ordem...he he he). Desde outubro viemos de mala e cuia para a cidade maravilhosa continuar nossa aventura pela vida, que como é uma só, deve ser vivida e aproveitada até a última gota.
A decisão de voltar ao Brasil foi muiltifatorial, mas não vou me esticar muito no assunto. Algumas coisas me empurrando de lá para cá e outras me puxando de cá para lá e assim, quando me dei por conta, já estava em Terras canarinhas.
Groningen foi minha casa por 9 anos e lá aprendi muitas coisas novas, fiz amigos fantásticos e tive meus dois tesouros. A Holanda será minha segunda casa para sempre, com certeza. Ainda mais agora que tenho a cidadania e sou oficialmente holandesa. Alem dos amigos, sentirei muita falta dos colegas e alunos do HIT. Foi muito legal ter sido professora lá nesses últimos 2 anos.
Mas o Rio...ah, o Rio é o Rio! E quando disse que voltei para casa, isso aconteceu também profissionalmente. Voltei pro Fundão. Pro mesmo instituto. Pro mesmo laboratório. Então é casa MESMO.
Os meninos estão se acostumando bem, afinal eles falam o português desde sempre e todos os anos vinham de férias. Ainda sentem falta da Holanda, dos amigos e da escola, mas estamos aqui há apenas 2 meses e é natural. E não é coisa definitiva: só uma inversão. Ao invés de virem passar férias aqui, vão pra Holanda. Na escola vão muito bem. Já lêem em português e começam a escrever também. Eu tive muito receio no início, já que além de todas as mudanças na vidinha deles, a escola não era uma acostumada a lidar com crianças bilíngues.
E por enquanto estamos indo muito bem. O desafio agora é manter o inglês e o holandês, mas acredito que essa tarefa vai ser bastante complicada, uma vez que as oportunidades que o Brasil oferece ao aprendizado de outros idiomas são muito limitadas. Sem contar com o preconceito e falta de informação a respeito do assunto pela população de modo geral.

A síndrome do regresso ainda não bateu na minha porta; espero que passe longe, mas nunca se sabe. Já tenho alguns “causos” para contar, mas fica para uma próxima vez.









Que idioma você fala com seu(s) filho(s)?